Metodologia de trabalho: Escolha do poema
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Para que se entenda a razão pela qual a
composição tipográfica utiliza certas cores, formas e tipos de letras (fonts), há que ter algum background do poema em questão e,
consecutivamente, do poeta. Isto acontece porque a composição interpreta o
poema e transmite visualmente as suas mensagens.
Luís Vaz de Camões foi um poeta português que
viveu durante o século XVI. Com biografia incerta, pensa-se que terá estudado
Filosofia e Literatura, em Coimbra. A sua principal obra é épica e denomina-se
de Os Lusíadas e que aborda e enaltece
os feitos portugueses na época dos Descobrimentos.
Vivendo muitas complicações e envolvido em
confusões nacionais, Camões acabou a sua vida na miséria. Sabe-se que morreu a
10 de junho de 1580 – Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.
“(...) diz Jorge de Sena: ‘Se pouco sabemos de Camões, biograficamente falando, tudo sabemos da sua persona poética, já que não muitos poetas em qualquer tempo transformaram a sua própria experiência e pensamento numa tal reveladora obra de arte como a poesia de Camões é.’”[1]
A importância deste poeta para a imagem
nacional e a qualidade do seu trabalho são inquestionáveis. Contudo, não foi n’Os Lusíadas que Camões incluiu “Endechas
a Bárbara Escrava”.
Este poema insere-se no vasto leque da lírica
camoniana que aborda várias temáticas como a mulher amada, a natureza, o amor e
o desconcerto do mundo. Além disso, e, sobretudo,
“(…) Exceptuando algumas redondilhas ou um ou outro raro soneto de teor exclusivamente lúdico ou circunstancial, pode afirmar-se que a obra de Camões se centra na evocação de um itinerário pessoal, assinado pelo Engano e pelo Desengano, pela Carência e pela Culpa, pela amargura do desconcerto e pela aspiração a uma plenitude em que o Amor ocupa, de facto, um lugar subordinante.” (Bernardes, 2006)
Assim, não fazendo parte da obra-prima de Luís
de Camões, “Endechas a Bárbara Escrava” é um poema que constitui uma importante
componente na compreensão da obra de Camões e que menciona temáticas de debate
muito relevantes na época em que foi escrito.
[1] in
Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora,
2003-2016. [consult. 2016-05-02 17:11:11]. Disponível na Internet:
http://www.infopedia.pt/$luis-de-camoes
A escolha do poema foi da responsabilidade do
discente, não tendo havido qualquer tipo de limitações por parte da docente. “Endechas
a Bárbara escrava” é um poema que, não só foi um bom texto para transmitir
visualmente, como também se envolvia diretamente na vida do discente.
Por um lado, o poema aborda o amor proibido e
pouco ortodoxo, numa personagem diferente e contrária ao modelo de mulher até
então trabalhado. Este rompimento com o status
quo é algo inovador na época e é concretizado na imagem da escrava.
“De fato, é assustador para nós, críticos conscientes da desumanidade de base em nossa formação, pensar que um conceito tão fluído, tão carente de realidade como o de amor pudesse definir ou explicar a miscigenação. (...) seja num poema do aventureiro Camões que encontremos forças para aceitar que alguma forma de amor tenha ido de mistura com tanto horror e violência. Trata-se do inesquecível ‘Endechas a Bárbara escrava’” (Cardoso, 2003)
Por outro lado, este poema faz parte do
programa de Português de 11º ano. O discente estudou-o com o professor João
Paulo Reis, no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira. Este professor foi
responsável pela presença do gosto e da paixão pela escrita no docente. Da
mesma forma, foi também o professor João Paulo que fez com que o discente
retivesse o poema “Endechas a Bárbara escrava” de entre de todos os outros de
Camões.
Assim, este poema reúne condições próprias
para um trabalho de interpretação visual: não só invoca uma realidade
retratável com imagens e metáforas, mas também motiva o discente pela relação
explicada anteriormente.
