Composição visual final

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Para uma análise gráfica e interpretação correta e séria, há que distinguir dois conceitos: o de perceção visual e o da imagem retiniana. Isto é, saber diferenciar o que se vê do seu significado. “O sentido da vista é universal – um triângulo nunca é sentido como um círculo. A percepção, contudo (o que quer o triângulo significar?), é modificada pela cultura, género, idade, saúde, educação, estatuto social ou económico e muitos outros fatores. Estas forças externas influenciam aquilo que os indivíduos concluem (...) o que percebem – e como reagem a ela” (Holtzschue e Noriega, 1997: 40).


Na área da perceção visual, destaca-se a Teoria de Gestalt que se relaciona com a área da psicologia (ilusões óticas, por exemplo). Abrange seis fundamentos principais:
  1. Unidade: um único elemento que se encerra em si mesmo ou um conjunto;
  2. Proximidade: elementos próximos são agrupados, sendo vistos juntos;
  3. Continuidade: ilusão ótica criada por certa organização coerente de elementos;
  4. Fechamento: relaciona-se com a unidade, na medida em que se unem pontos, criando uma ordem especial (formas geométricas) a partir da organização espacial;
  5. Pregnância: cria-se novas unidades a partir de formas geométricas;
  6. Semelhança: idênticas formas e cores fazem com que haja uma tendência à formação de unidades.

A partir dos elementos básicos da comunicação visual, o designer recorre a algumas estratégias – as técnicas de comunicação visual – para se expressar.

Nesta composição visual a presença do movimento e da direção no rosto do modelo é evidente. Apesar da direção (horizontal, neste caso) estabelecer uma relação entre “o organismo humano e o meio ambiente, mas também com a estabilidade em todas as questões visuais” (DONDIS, Donis, 1991: 51-83), a sua associação ao movimento confere uma sensação de inquietação, em termos de perceção visual. O rosto evidencia a técnica da atividade, num movimento dinâmico e energético.

Na bolacha ocorre um fenómeno de justaposição, na parte inferior, numa tentativa de continuar o corpo do modelo com os símbolos relacionados com o stress (como se do corpo fizessem parte). Desta forma, tentou-se aplicar o fundamento de continuidade da Teoria de Gestalt (técnica da sequencialidade). Neste sentido, há também o uso da profusão e da complexidade uma vez que, por um lado, há um uso de um número elevado de elementos e, por outro lado, há que observar com alguma calma para uma interpretação completa e alegórica.

Há também um outro elemento que merece ser destacado: a cor. O elevado contraste e exposição contribuem para que a cor seja a ideal para retratar um ambiente e cultura urbana. Para além disso, é uma cor monótona e melancólica.


Em geral, pode-se verificar a existência da repetição dos elementos gráficos que se associa a alguma simetria no corpo do modelo. Todavia, a assimetria dos próprios elementos gera um paradoxo no par equilíbrio/instabilidade que confere grande força e poder à imagem.

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O autor

Filipe Santiago Lopes
18 anos
Espinho

Estudante da licenciatura de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimédia

Ciências da Comunicação

"Criado em 2000, o curso de Ciências da Comunicação oferece um ensino de ponta nas áreas do Jornalismo, Assessoria de Imprensa e Multimédia." adaptado do portal de notícias da Universidade do Porto